Espaço de Educação Ambiental do Complexo Lagunar ganha nova ambientação com grafites sustentáveis
02 de abril de 2025O Espaço de Educação Ambiental, localizado no canteiro de obras da dragagem do Complexo Lagunar da Barra e Jacarepaguá, ganhou uma nova ambientação que une arte, sustentabilidade e educação. As paredes do espaço estão repletas de cores e formas, graças aos grafites do artista urbano André Rongo, que retrata de forma criativa a biodiversidade única da região.
A ação integra o movimento Juntos Pela Vida das Lagoas, uma iniciativa liderada pela Iguá que busca regenerar o Complexo Lagunar por meio de ações estruturantes e de engajamento comunitário. O movimento atua em diversas frentes, como dragagem, reflorestamento de manguezais, educação ambiental e melhorias no saneamento, com o objetivo de restaurar os ecossistemas e transformar a relação da cidade com suas lagoas.
“A criação do Espaço de Educação Ambiental da Iguá Rio visa promover a conscientização e engajamento da comunidade em relação à preservação dos recursos hídricos e ao cuidado com o meio ambiente. O Espaço reforça o nosso compromisso com a sustentabilidade, provoca a reflexão da sociedade sobre a importância do saneamento básico e o impacto na saúde pública e na qualidade de vida. Ao compartilhar conhecimento e boas práticas, a Iguá fortalece sua imagem como agente transformador, construindo um relacionamento de confiança e responsabilidade social com seus clientes e a sociedade.” — Zilma Ferreira, Gerente de Responsabilidade Social da Iguá
O evento de inauguração do novo espaço contou com a presença de membros da diretoria da Iguá, colaboradores do programa interno de voluntariado, o Voluntariguá, e da equipe de Educação Ambiental da Dragagem, que utilizarão o espaço em suas atividades com a comunidade. A programação incluiu teste rápido de qualidade da água, com reagentes químicos que indicavam se a água era potável, e o plantio de mudas de mangue nas áreas de reflorestamento do movimento.
Um dos destaques mais impactantes do espaço é o totem da pescadora no barquinho, escultura que combina grafite com resíduos reutilizados. A obra representa uma pescadora navegando pelas lagoas — símbolo de uma tradição ancestral. Ao mesmo tempo, a arte lança um alerta sobre os impactos da poluição: com o desaparecimento dos peixes, a pesca artesanal e os modos de vida tradicionais também correm risco. A obra de Rongo ilustra, assim, o ciclo de perda ambiental e cultural provocado pela degradação dos ecossistemas aquáticos.
O biólogo Mário Moscatelli, que integra o projeto de reflorestamento dos manguezais do Complexo Lagunar, também esteve presente e destacou como o lixo impacta a vida nas lagoas, afetando não apenas os animais silvestres, mas também a saúde e o bem-estar das comunidades humanas que vivem ao redor delas.
Um exemplo notável é o grafite do Colhereiro-rosa feito com resíduos coletados na própria lagoa. O bico da ave, por exemplo, foi representado com o banco de um triciclo infantil reaproveitado. Além do colhereiro, outras espécies emblemáticas do Complexo Lagunar também foram retratadas: a Lontra, o Caranguejo-uçá, o Jacaré-de-papo-amarelo, a Garça-moura, a Garça-branca-grande, o Martim-pescador-grande, a Capivara, o Biguá e os três tipos de mangue — o vermelho, o branco e o preto.
Essas espécies têm sido vistas com mais frequência na região, sinalizando que os esforços de recuperação estão trazendo resultados. A nova ambientação do Espaço de Educação Ambiental reforça essa transformação e tem como missão sensibilizar crianças, jovens, trabalhadores da obra e visitantes sobre a importância de proteger as lagoas e sua biodiversidade.