Descarte responsável de resíduos: cuidar das lagoas começa nas nossas escolhas
23 de fevereiro de 2026O descarte correto de resíduos é um gesto simples, mas fundamental para a proteção do meio ambiente e da saúde coletiva. Separar o lixo, dar o destino adequado aos materiais e evitar o descarte irregular ajudam a reduzir a poluição e a preservar os ecossistemas que fazem parte do nosso dia a dia.
Lagoas, manguezais e rios não são locais apropriados para o descarte de lixo. Quando resíduos são jogados nesses ambientes, eles comprometem a qualidade da água, afetam a fauna e a flora e agravam problemas como alagamentos e mau cheiro. Esses ecossistemas são vivos, sensíveis e essenciais para o equilíbrio ambiental e para a qualidade de vida das comunidades do entorno.
Ao separar corretamente os resíduos, utilizar a coleta regular e a coleta seletiva, cada pessoa contribui para manter esses ambientes protegidos. Pequenas atitudes fazem diferença e ajudam a garantir mais vida para as lagoas, hoje e no futuro.
Esse cuidado não é apenas uma orientação teórica. Ele responde a uma realidade que já vem sendo enfrentada diariamente nas ações do Juntos Pela Vida das Lagoas. Até o momento, mais de 321,45 toneladas de resíduos sólidos já foram retiradas das lagoas e destinadas de forma adequada. Entre os materiais encontrados, chamam atenção objetos inusitados e até históricos, como pneus de faixa branca (whitewall tire) de diversas marcas, muito populares entre as décadas de 1950 e 1970, muitos outros pneus, além de sofás, poltronas, mesas, restos de jet-ski, prancha de surf, máquinas de lavar, tanquinhos, televisores antigos de tubo e até telefones de outras décadas. Em muitos pontos, há o descarte de móveis e eletrodomésticos como se casas inteiras tivessem sido despejadas na lagoa.
Também foram retiradas inúmeras embalagens plásticas de produtos domésticos, como potes de margarina e recipientes de leite das décadas de 1980, 1990 e 2000, ainda reconhecíveis após tantos anos submersos. Esse cenário evidencia que o plástico não desaparece com o tempo. Ele leva décadas ou mais para se degradar, fragmenta-se e acaba se acumulando no fundo das lagoas, perpetuando a poluição e impactando continuamente o ecossistema. Esses achados revelam que parte significativa da contaminação atual é resultado de descartes irregulares acumulados ao longo de muitos anos.
Como parte desse processo de transformação, o movimento Juntos pela vida das lagoas, liderado pela Iguá Rio, desenvolve ações permanentes de mobilização e educação ambiental, como a formação de coletivos educadores, o Projeto Em Cena Pela Vida das Lagoas, sessões do circuito cineclube ambiental, reuniões com moradores e pescadores artesanais, além do monitoramento contínuo da fauna e da flora. Também integra esse esforço o PEAT, programa de educação ambiental voltado aos trabalhadores da obra de dragagem, que promove diálogos, orientações práticas e reflexões sobre atitudes seguras e sustentáveis no dia a dia do canteiro. Essas iniciativas articulam recuperação ambiental, produção de conhecimento e participação comunitária para que o problema não volte a acontecer, promovendo uma mudança cultural duradoura na relação da população com as lagoas e garantindo um futuro mais sustentável para todos.
Crédito das imagens: Gustavo - Instituto Manglares